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Manejo Integrado de Pragas: como funciona e quais são os benefícios?  

Escrito por: Fanny Deiss Fanny Deiss
Revisado por: Steve Edgington Steve Edgington

Visão geral

O que é Manejo Integrado de Pragas?

Um infográfico mostra o processo de MIP, incluindo estratégias de gestão, abordagem e benefícios.
O MIP envolve a combinação de diferentes estratégias de gestão agrícola num processo de 5 etapas e tem múltiplos benefícios. Crédito: CABI

O Manejo Integrado de Pragas (MIP) é uma abordagem ambientalmente sustentável para o cultivo agrícola. Seu principal objetivo é controlar pragas de forma eficaz, reduzindo ao máximo os impactos negativos sobre o meio ambiente e a saúde humana

A FAO descreve a abordagem do MIP como a “consideração cuidadosa de todas as técnicas de controle de pragas disponíveis"

O Manejo Integrado de Pragas (MIP) inclui a aplicação de diversas técnicas, biológicas, químicas, físicas e práticas específicas de cada cultivo. Essa abordagem promove a produção de lavouras mais saudáveis e reduz a necessidade de pesticidas. Ao diminuir o uso desses produtos, também se reduzem os riscos para a saúde humana e para o meio ambiente. Nesse sentido, o MIP representa uma forma sustentável de controle de pragas que tem como objetivo:

  • Alcançar o manejo dos danos causados pelas pragas de uma forma mais econômica
  • Limitar o impacto sobre as pessoas, suas propriedades e o meio ambiente
  • Evitar consequências negativas para o agricultor
  • Contribuir para a melhoria da biodiversidade e para a conservação
  • Proteger o direito humano à alimentação

Como funciona o MIP?

Os programas de Manejo Integrado de Pragas (MIP) incluem uma série de etapas: avaliação, tomada de decisão e aplicação das medidas de controle

Ao aplicar o Manejo Integrado de Pragas (MIP), os produtores geralmente seguem uma abordagem baseada em cinco etapas.

As cinco etapas incluem:  

  1. Identificação da praga
  2. Estabelecimento de um nível de ação
  3. Monitoramento
  4. Prevenção
  5. Control
Infográficos mostrando os principais elementos do Manejo Integrado de Pragas (MIP), incluindo Prevenção, Monitoramento, Identificação de Pragas, Limite de Ação e Controle Direto.
Os cinco elementos-chave do Manejo Integrado de Pragas (MIP) © CABI

1. Identificação de praga

A identificação correta da praga é fundamental para orientar a tomada de decisões e definir as medidas de controle mais adequadas. Essa etapa é essencial para avaliar o potencial da praga em se tornar um problema e, a partir disso, escolher as estratégias de manejo mais eficazes

Quando a praga é identificada de forma incorreta, ou quando faltam informações sobre ela, é comum que sejam adotadas medidas inadequadas, resultando no fracasso do controle. O ideal é sempre coletar uma amostra da planta daninha, do inseto ou da doença que afeta a cultura, garantindo assim uma identificação precisa. Isso permite tomar decisões mais assertivas e eficazes. Além disso, a consulta a técnicos ou extensionistas rurais é altamente recomendada, pois eles oferecem experiência valiosa para confirmar o diagnóstico.

Em alguns casos, a praga não é visível de forma evidente. É necessário observar com atenção os sintomas presentes na lavoura

Um recurso muito útil para esse propósito é o Guia de Campo de Diagnóstico de Plantwise , uma ferramenta desenvolvida para ajudar a identificar problemas nas culturas e recomendar as melhores opções de manejo.

Identificar a praga também significa aprender mais sobre o ciclo de vida e a biologia da praga. Isto ajudará na escolha da estratégia de controle mais adequada.

É possível usar o Compêndio de Espécies Invasivas do CABI para buscar informações detalhadas sobre pragas.

um patologista de plantas com uma lupa olhando para um campo de sorgo infectado por antracnose
O fitopatologista Louis K. Prom examina sementes de sorgo infectadas por Colletotrichum sublineolum, causador da antracnose do sorgo © Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), Serviço de Pesquisa Agrícola (ARS). Foto de Peggy Greb/via Flickr (CC BY 2.0).

2. Estabelecimento de um nível de ação

O Estabelecimento de um nível de ação é um dos aspectos mais importantes do MIP.

O nível de ação é o ponto em que devem ser tomadas medidas para controlar uma praga. Em outras palavras, é a referência que indica quando a população da praga atinge um determinado nível (isto é, o número de pragas por unidade de área) que justifica a intervenção para evitar ou reduzir os danos

Para definir os níveis de ação da sua estratégia de MIP, é útil perguntar:

  • Existe uma ameaça econômica e qual é o custo de agir?

A menos que o nível da praga seja excedido, o produtor não precisará tomar nenhuma medida. O custo do controle deve ser menor ou igual às perdas estimadas que a praga causaria se não fosse controlada.

  • Quais são os riscos para a saúde e a segurança?

Quando a praga representa uma ameaça para a saúde ou a segurança humana, o nível de ação deve ser mais baixo. Por exemplo, se o agricultor detectar insetos em grãos ou farinhas destinados ao consumo humano, é necessário agir imediatamente.

  • Existe a possibilidade de um dano estético?

A aparência de um produto é fundamental para a sua comercialização. Um fruto ou grão danificado é difícil de vender.

Em definitiva, estabelecer os níveis de ação depende do monitoramento constante das lavouras, o que nos leva à próxima etapa do MIP.

3. Monitoramento

Um agricultor e dois assessores em uma plantação de tabaco fazendo observações de monitoramento com um notebook
Um agricultor e técnicos monitoram pragas em uma plantação de tabaco na Argentina © CABI

Manter bons registros das populações de pragas é importante para decidir quando é hora de agir. Isso evita o uso de métodos de controle quando não são necessários. O monitoramento e o gerenciamento devem ser adaptados à sua situação.

Os níveis de ação não devem ser rígidos; eles podem ser ajustados de acordo com diferentes critérios, como por exemplo:

  • O número médio de pragas capturadas por armadilha a cada semana
  • A porcentagem de folhas ou plantas danificadas ou infestadas observadas durante a inspeção da lavoura
  • Número de pragas desalojadas por amostra de batida ou sacudida

Se você quiser se aprofundar em como monitorar pragas e aplicar produtos de bioproteção de maneira eficaz, faça o curso do CABI Academy

4. Prevenção

A prevenção é uma etapa-chave dentro do Manejo Integrado de Pragas (MIP) e representa a melhor linha de defesa contra os problemas causados por pragas. O objetivo é evitar que as populações atinjam níveis capazes de gerar perdas econômicas para o agricultor.

O MIP busca prevenir os problemas de pragas porque, na maioria dos casos, essa é uma estratégia mais econômica e que oferece melhores resultados a longo prazo. Mesmo quando a prevenção não elimina completamente as pragas, ela ajuda a reduzir sua população, facilitando o controle posterior.

Entre outras, as principais ações preventivas incluem:

  • Seleção cuidadosa da área de cultivo
  • Escolha adequada das variedades
  • Semeadura estratégica e rotação de culturas
  • Aplicação preventiva de biopesticidas
  • Métodos mecânicos, físicos e culturais de proteção de cultivos
  • Manejo eficiente da água
  • Otimização da nutrição das plantas
  • Conservação dos habitats naturais próximos às lavouras

Essas práticas, além de muito eficazes, apresentam poucos riscos tanto para as pessoas quanto para o meio ambiente.

5. Controle

um agricultor pulverizando um produto fitofarmacêutico no campo
Um agricultor pulverizando seu campo com um produto fitofarmacêutico © CABI

O controle de pragas torna-se necessário quando os níveis de ação são excedidos e quando as medidas preventivas já não são suficientes.

O uso combinado de diferentes métodos traz os melhores resultados em termos de duração e eficácia do controle

Os métodos que podem ser usados no MIP incluem:

  • Captura de pragas (com feromônios, por exemplo)
  • Tratamento térmico/frio
  • Remoção física
  • Controle biológico
  • Aplicação de pesticidas

É importante avaliar os efeitos das ações de controle de pragas, para avaliar o sucesso das estratégias implementadas.

Isso pode ser feito mantendo:

  • Um registro atualizado de cada método de controle usado, incluindo todas as aplicações de pesticidas
  • Evidência de quais métodos de controle não químicos foram considerados e implementados
  • As lições aprendidas para prevenir futuros problemas de pragas

Por que usar o MIP?

O MIP é uma abordagem abrangente de controle de pragas que prioriza a saúde do meio ambiente e a saúde humana. Ao contrário das práticas tradicionais de controle de pragas, que dependem fortemente de pesticidas químicos, um programa de MIP combina múltiplas estratégias para manejar as populações de pragas de forma mais sustentável, eficaz e ambientalmente responsável. 

Principais benefícios do Manejo Integrado de Pragas

Os benefícios da adoção do MIP incluem a redução dos impactos negativos sobre as a saúde das pessoas e o meio ambiente. © CABI

Os programas de MIP proporcionam múltiplos benefícios tanto para os seres humanos quanto para o meio ambiente Notas de Saúde Pública analisa alguns desses benefícios, assim como a Vida útil da colheita. Entre os principais, destacam-se: 

  • Diminuição dos impactos negativos sobre a biodiversidade, o solo e os recursos hídricos: o uso adequado de diferentes métodos de controle ajuda a evitar que insetos benéficos sejam eliminados pelo uso incorreto de defensivos químicos, por exemplo. 
  • Redução dos riscos à saúde dos trabalhadores rurais: a menor dependência de pesticidas significa menos exposição e, consequentemente, menos problemas de saúde. 
  • Menor risco de resistência ou recorrência das pragas: confiar em uma única tática de controle aumenta a probabilidade de que os insetos se adaptem e se tornem resistentes. O MIP, por meio da rotação de métodos de controle, contraria esse problema de forma eficaz. 

Além disso, os agricultores percebem benefícios diretos ao implementar o MIP. Com um programa de prevenção, é possível evitar a proliferação de pragas, o que representa economia de tempo e dinheiro. O MIP pode ajudar os agricultores a: 

  • Aumentar os lucros das lavouras graças a um melhor controle de pragas.
  • Manter o acesso ao mercado
  • Reduzir o risco de restrições aos seus produtos devido à presença de resíduos de pesticidas 
  • Aumentar a confiança do público ao adotar práticas mais seguras 

O papel do controle cultural no Manejo Integrado de Pragas

A imagem mostra 4 estratégias diferentes incluídas no Manejo Integrado de Pragas (MIP). Cultural, Mecânica, Biológica e Química
A gestão do MIP combina estratégias culturais, mecânicas, biológicas e químicas. Crédito CABI 

As práticas culturais podem ser incorporadas na etapa de 'Prevenção'. Essas atividades têm como objetivo ajudar a lavoura a evitar, resistir ou atrasar a sua interação com a praga. Em outras palavras, as práticas culturais impedem o desenvolvimento da praga. Entre elas, podemos citar:  

  • Rotação de culturas:Pode interromper o ciclo de vida da praga ao substituir a planta hospedeira por uma não hospedeira.
  • Plantio estratégico: algumas pragas podem se tornar problemáticas em determinadas épocas do ano ou sob condições climáticas específicas. Para evitar esses períodos críticos, é possível adaptar a época de plantio.
  • Eliminação de plantas doentes: Trata-se do ato de remover plantas doentes ou enfraquecidas. Essa prática ajuda a evitar o acúmulo de um reservatório de pragas.
  • Variedades resistentes: algumas variedades de plantas são mais resistentes a pragas específicas 
  • Culturas-armadilha: algumas plantas são mais atrativas para as pragas do que outras e podem, portanto, desviá-las da cultura principal  

O papel do controle mecânico e físico no Manejo Integrado de Pragas

As práticas agrícolas mecânicas ou físicas concentram-se na remoção direta da praga ou na interrupção de suas atividades. Geralmente, essas práticas são as primeiras a serem aplicadas no controle de pragas, uma vez atingido o nível de ação.  

As práticas mecânicas ou físicas são geralmente rápidas e eficazes, com pouco ou nenhum impacto sobre os organismos não alvo 

Essas práticas incluem:  

  • Colheita manual: prática que consiste em retirar as pragas diretamente das plantas 
  • Barreiras e armadilhas: telas de malha ou redes, por exemplo, mantêm as pragas afastadas das plantas, enquanto cartões amarelos adesivos podem capturá-las.
  • Cobertura morta (mulching): cobrir o solo com cobertura morta traz muitos benefícios, incluindo o controle indireto de pragas, ao favorecer os inimigos naturais
  • Pulverizações com jato de água: a pulverização de água em alta pressão, em culturas mais robustas, pode às vezes desalojar insetos das folhas e caules das plantas 

O papel do controle biológico no Manejo Integrado de Pragas

O controle biológico (ou 'bioproteção') é o uso de organismos vivos e de compostos de origem natural para controlar populações de pragas. Esses produtos de bioproteção podem ser adquiridos e aplicados diretamente nas lavouras.  

Existem vários tipos de produtos de bioproteção:  

  • Agentes macrobiológicos
  • Agentes microbiológicos
  • Semioquímicos
  • Substâncias naturais 

Para obter orientações sobre como selecionar o(s) produto(s) certo(s) para estratégias eficazes de manejo de pragas, consulte o nosso blog '7 dicas para escolher um biopesticida ou produto de biocontrole'  
Para obter aconselhamento personalizado sobre a aplicação de um produto de bioproteção, entre em contato com o escritório de extensão mais próximo ou com o serviço de assistência técnica agrícola local. 

O papel do controle químico no Manejo Integrado de Pragas

Os pesticidas químicos podem ser utilizados dentro de um programa de MIP, mas devem ser aplicados apenas como último recurso, quando todas as outras opções não forem capazes de reduzir ou limitar os danos causados pelas pragas  

No MIP, o uso de produtos químicos deve sempre buscar minimizar o impacto ambiental. Isso pode ser feito por meio de:   

  • Químicos seletivos: selecione produtos químicos com faixa estreita de hospedeiros para reduzir os efeitos sobre organismos não alvo.
  • Tratamento localizado: aplicar o produto apenas nas áreas afetadas pela praga
  • Rotação de classes de pesticidas: para evitar o desenvolvimento de resistência das pragas, utilize produtos com diferentes modos de ação.

Perguntas frequentes

O que é controle biológico no MIP?

O controle biológico no MIP é o uso de organismos e de produtos naturais, feitos a partir de compostos de origem biológica, para manejar pragas ou doenças das lavouras de forma sustentável. O objetivo do controle biológico é reduzir a população da praga-alvo a níveis abaixo dos que causam danos, e não erradicá-la completamente. Diferentemente dos pesticidas químicos, esses métodos têm pouco ou nenhum efeito colateral indesejado sobre os seres humanos, o meio ambiente ou a vida silvestre. 
A maioria dos produtos de controle biológico no MIP pode ser aplicada com equipamentos convencionais, como pulverizadores. Esses produtos podem ser utilizados tanto na etapa de controle quanto na de prevenção e são classificados em diferentes categorias, como: 

Agentes microbiológicos – Contêm microrganismos vivos ou seus subprodutos. 
Agentes macrobiológicos – são pequenos animais, como insetos benéficos, que atuam como predadores ou parasitóides naturais de pragas. 
semioquímico – são compostos químicos naturais que alteram ou perturbam o comportamento normal das pragas. 
Substâncias naturais – possuem compostos de origem natural, como óleos botânicos e extratos vegetais. 

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